Bauru, a triste descoberta

Em fevereiro de 1989 passei as minhas férias em Camboriú/SC, junto com minha família e meu grande amigo Sérgio Varela. Era primeira vez que visitava aquela praia e o pouco que sabia é que a vida noturna era muito intensa e que o custo de vida era muito alto.

Nas duas semanas que passei por ali realizei outras descobertas, a primeira é que a praia não tem sol a tarde, em função do grande número de prédios altos na orla e a segunda é que o bauru era muito mais barato que em Caxias, praticamente a metade.

Eu e o Sérgio, habituais clientes do Danúbio em Caxias não tivemos dúvida, pedimos um Bauru, e estranhamos o questionamento do garçom, um pra os dois? Após confirmarmos o pedido, e ainda eufóricos com a pechincha que seria o almoço aguardamos ansiosos pelo prato que saciaria a nossa fome.

Minutos depois o garçom traz o nosso pedido, e pergunta se desejamos que divida ao meio? Perplexo com aquele minguado sanduiche a nossa frente, não tivemos dúvidas. – Meu amigo, tem algum engano, pedimos um bauru.

Em tom de sarcasmo ele responde. – Então, aqui está o pedido de vocês, até estranhei o pedido, um sanduiche deste é pouco para dois.

Algumas explicações depois entendemos que o tal bauru que conhecemos é uma exclusividade caxiense, e apesar de constrangidos pedimos um filé com fritas porque o mais importante naquele momento era matar a fome, missão que o bauru de Camboriú não iria cumprir.
O bauru original é um sanduíche inventado por Casimiro Pinto Neto em 1934, apelidado “Bauru” em referência à sua cidade natal. A receita original, oficializada por uma lei municipal de Bauru, consiste em um pão francês com rosbife, fatias de tomate, picles e queijo muçarela derretido.

A difusão do sanduíche Bauru não se restringiu somente ao bar onde foi criado e tampouco à sua cidade de origem. Em todo Brasil e até mesmo em outros países, este sanduíche tornou-se popular, apesar das inúmeras variações considerando as influências regionais e adaptações, porém não deixando de levar o nome da cidade de Bauru a todas as lanchonetes e bares onde é confeccionado, mas em Caxias as mudanças foram mais drásticas, uma evolução da espécie, mas isto já é outra história.

Bebida: Coca-Cola com gelo
Música: Engenheiros do Hawaii – Toda forma de poder
 
Esta história continua….
 
Um grande abraço.

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Escondidinho em Cascavel

Todo inicio de ano viajo a trabalho para Cascavel, em fevereiro acontece na região uma das principais feiras Agrícolas do Brasil, a Show Rural. Cascavel é uma cidade jovem e bem planejada, com ruas largas e arborizadas. A maioria da população é constituída por descendentes de poloneses, alemães e italianos, além dos gaúchos que desbravaram o oeste brasileiro nas décadas de 50 e 60. A temperatura nesta época do ano é superior aos 30 graus, e o trabalho na feira é árduo, de sol a sol, cansativo para o corpo e a mente. À noite a busca é por restaurantes ao ar livre com um bom chopp bem gelado.

A culinária cascavelense é a base da carne, normalmente assada e grelhada, além da famosa tilápia uma das iguarias da cidade, e praticamente todos os restaurantes servem uma receita com este peixe, tem tilápia para tudo que é gosto, desde iscas, grelhada com molho de limão, frita, sushi de tilápia, tilápia assada, etc, etc, etc…
Dentre os restaurantes da cidade destaco três, o Picasso, um dos orgulhos da cidade, localizado na cobertura de uma das torres gêmeas, apresenta como principal prato de seu cardápio a bela vista da cidade, os demais pratos tem a soberba como principal ingrediente, não recomendo.
Uma grata surpresa foi a Villa Zanello, churrascaria com menos de 3 meses de existência, instalada na Rua Minas Gerais, em uma construção que mescla na medida certa o novo e o antigo, com um bom serviço e alguns excessos, como servir cochigliones doces como acompanhamento de picanha.
O Restaurante Adega do Lusitano é um lugar simples, mas com fila de espera e sem reserva de mesas. Fica localizado na Rua São Paulo, no centro de Cascavel. A maioria dos pratos é a base de peixes de água doce, tilápia e companhia. Bolinho de peixe, costela de peixe, pirão e muitos outros pratos, alguns saborosos e outros apenas para fazer número no rodízio.
No entanto a combinação perfeita de uma boa refeição em Cascavel pode ser encontrada em várias cidades Brasileiras, pelo menos nas que possuem uma franquia da Cachaçaria.Trata-se do escondidinho, prato a base de carne seca refogada no purê de mandioca com requeijão, com generosa porção de queijo coalho e mussarela na cobertura. Vem acompanhado de arroz, que seria totalmente dispensável, e uma porção de pimentas, estas sim fundamentais.
Eram oito horas, anoitecia em Cascavel, a velocidade do vento era quase zero, as folhas não se mexiam, a temperatura naquela hora ainda era superior aos 30 graus, a sensação de calor era acentuada devido as mudanças climáticas proporcionadas pelo ar condicionado do carro.
Jantar cedo era a melhor opção, principalmente por não ter almoçado neste dia. A cachaçaria foi uma escolha premeditada, mesa na calçada, chopp muiiito gelado e escondidinho no prato, com muita pimenta, mistura perfeita… simples, direto, na medida certa e sem frescuras. Encontrei aquilo que estava procurando, o Escondidinho de Cascavel.



Bebida: Chopp Gelado
Música: Elis Regina e Adoniran Barbosa – Tiro ao Álvaro



Um grande abraço.