O dia em que quase entrei pra o Guinness Book

Quase entrei para o Guinness Book com o maior pedido de Pizzas delivery do mundo. Aconteceu durante a realização da Expedição Agrale Marruá, no trajeto entre Dourados e Campo Grande.

A Expedição foi um evento realizado para divulgar o lançamento da linha de utilitários Marruá no aniversário de 40 anos da Agrale. Realizada em março de 2006, contou com a presença de mais de 40 participantes, entre organização, imprensa e selecionados. O processo seletivo preliminar ocorreu via web, foram utilizados 15 veículos e percorridos aproximadamente 3800 km entre Caxias do Sul e a Chapada dos Guimarães no Mato Grosso, sendo que mais de 80 % do trajeto através de estradas vicinais não pavimentadas e trilhas. A Expedição teve a duração de 15 dias, fato que exigiu um planejamento rigoroso que visava atender todas as questões logísticas, entre elas alimentação e hospedagem.

Contextualizações a parte, seguíamos para Campo Grande em comboio, eram mais de 10h00 da noite, a poeira o cansaço e a fome transformaram aquele trecho em um dos mais difíceis da expedição. A previsão inicial era de chegarmos em Campo Grande no meio da tarde com tempo suficiente para providenciarmos um local para o grupo jantar, no entanto a falta de combustível em um dos veículos em um dos trechos mais ermo do trajeto, atrasou o comboio em mais de 6 horas.

A última refeição da equipe havia sido um almoço com os índios da Tribo Caiwá e eu precisava urgentemente providenciar comida para toda aquela tropa. A sorte não estava ajudando o celular estava fora de área, e o tempo estava se esgotando. No dia seguinte pegaríamos a Transpantaneira rumo a cidade de Rio Verde, no norte do Mato Grosso do Sul, e para minimizar o stress do grupo, além de uma boa noite de sono era preciso forrar o estômago da turma.

Quando estávamos a uns 60km de Campo Grande o celular começou a dar sinal, e eu precisava agir rápido, liguei para vários restaurantes e não consegui reservar lugar para aquele número de pessoas em função do horário, o hotel que ficaríamos hospedados não possuía restaurante e a última tentativa foi solicitar pizza para toda aquela gente.

Após conseguir o número de uma pizzaria, ligo e após confirmar o serviço de delivery passo o endereço da entrega, o atendente solicita qual o sabor da pizza, e qual não foi a surpresa dele ao saber que não se tratava de 1 mas de 30 pizzas. Tive que usar de todo o meu poder de convencimento para que entendesse que não se tratava de trote, passado o primeiro estágio veio o segundo desafio, quais os sabores pedir, no entanto neste ponto simplifiquei e não fui nem um pouco democrático, – manda 10 mussarela, 10 calabresa, 5 portuguesa e 5 napolitana.

Para minha satisfação, na hora e local marcado as pizzas estavam lá, e cumpriram o seu papel, mataram a fome e ergueram o moral da Tropa.

Sabe quando vamos ao mercado com fome, compramos muito mais que o necessário, com as pizzas foi a mesma coisa, 30 pizzas grandes para 40 pessoas foi demais, mas no dia seguinte serviram de almoço, só que ao invés de forno, utilizamos o capô do Marruá para aquecer as benditas.

Um grande abraço a todos
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Bauru, a triste descoberta

Em fevereiro de 1989 passei as minhas férias em Camboriú/SC, junto com minha família e meu grande amigo Sérgio Varela. Era primeira vez que visitava aquela praia e o pouco que sabia é que a vida noturna era muito intensa e que o custo de vida era muito alto.

Nas duas semanas que passei por ali realizei outras descobertas, a primeira é que a praia não tem sol a tarde, em função do grande número de prédios altos na orla e a segunda é que o bauru era muito mais barato que em Caxias, praticamente a metade.

Eu e o Sérgio, habituais clientes do Danúbio em Caxias não tivemos dúvida, pedimos um Bauru, e estranhamos o questionamento do garçom, um pra os dois? Após confirmarmos o pedido, e ainda eufóricos com a pechincha que seria o almoço aguardamos ansiosos pelo prato que saciaria a nossa fome.

Minutos depois o garçom traz o nosso pedido, e pergunta se desejamos que divida ao meio? Perplexo com aquele minguado sanduiche a nossa frente, não tivemos dúvidas. – Meu amigo, tem algum engano, pedimos um bauru.

Em tom de sarcasmo ele responde. – Então, aqui está o pedido de vocês, até estranhei o pedido, um sanduiche deste é pouco para dois.

Algumas explicações depois entendemos que o tal bauru que conhecemos é uma exclusividade caxiense, e apesar de constrangidos pedimos um filé com fritas porque o mais importante naquele momento era matar a fome, missão que o bauru de Camboriú não iria cumprir.
O bauru original é um sanduíche inventado por Casimiro Pinto Neto em 1934, apelidado “Bauru” em referência à sua cidade natal. A receita original, oficializada por uma lei municipal de Bauru, consiste em um pão francês com rosbife, fatias de tomate, picles e queijo muçarela derretido.

A difusão do sanduíche Bauru não se restringiu somente ao bar onde foi criado e tampouco à sua cidade de origem. Em todo Brasil e até mesmo em outros países, este sanduíche tornou-se popular, apesar das inúmeras variações considerando as influências regionais e adaptações, porém não deixando de levar o nome da cidade de Bauru a todas as lanchonetes e bares onde é confeccionado, mas em Caxias as mudanças foram mais drásticas, uma evolução da espécie, mas isto já é outra história.

Bebida: Coca-Cola com gelo
Música: Engenheiros do Hawaii – Toda forma de poder
 
Esta história continua….
 
Um grande abraço.

Como não fazer uma lasanha de camarão

Adoro camarão e adoro lasanha, nada mais justo que juntar estas duas preferências. Na teoria é tudo muito simples, refogo o camarão na manteiga e reservo, vem a minha filha e rouba boa parte dos crustáceos, preparo o molho vermelho para juntar com o camarão e paralelamente o molho branco para intercalar as camadas. Não gosto de utilizar queijo fatiado, prefiro mussarela ralada grossa. Utilizo massa pré-cozida que dispensa o cozimento na água e é muito mais fácil de montar.

inicio a montagem da lasanha, massa, molho branco, queijo, massa, molho vermelho, queijo, massa, molho branco, queijo, massa, molho vermelho queijo, a aparência estava ótima, pena não ter sobrado camarão para decoração, no entanto a Maria Luiza havia feito bom proveito. Coloco no forno, deixo 25 minutos em fogo médio, o visual é bastante apetitoso, o queijo borbulhando nas extremidades da forma misturado com os molhos, levo para mesa, sorriso de orelha a orelha com orgulho do meu feito, pena que precipitadamente. Corto para servir e percebo o primeiro problema! Parece que está um pouco dura, sirvo todos, experimento e fico aguardando os comentários, silêncio total.

O gosto não está ruim, mas a massa esta dura e o camarão também, a massa pré-cozida necessita de um cozimento maior para ficar no ponto, já o camarão quanto mais se cozinha mais vai ficando, como direi…. emborrachado. O grande problema é que só tinha salada de acompanhamento, e a grande expectativa se transformou em frustração.

Espero aprender com o meu erro, mas melhor seria aprender com o erro dos outros.

Trilha sonora: Nei Lisboa – Verão em Calcutá
Bebida: Coca-Cola com bastante gelo


Um grande abraço a todos.

"Churrasco"

O churrasco não é apenas o principal prato da culinária gaúcha, é um elemento fundamental da nossa identidade histórica e cultural. O restante do Brasil acha que o gaúcho já nasce com o dom para assar um bom churrasco, mas não é bem assim, o bom assador, para nós é uma espécie de sábio, item que necessariamente deveria constar no currículo ou em alguns caso em uma biografia.
A maioria das churrascarias de São Paulo ou do Rio de Janeiro são melhores que as gaúchas, é claro que os churrasqueiros em geral são do Rio Grande e quase sempre de Nova Bréscia .O bom churrasco gaúcho não é servido em um restaurante, mas nos milhares de lares do nosso estado, e normalmente aos domingos porque o churrasco é sinônimo de festa, celebração, confraternização e ninguém come churrasco sozinho.
A preparação do churrasco é cercada de ritos, o churrasco é sagrado, por isso compartilhamos o churrasco com nossos amigos, com nossos familiares, o churrasco é a nossa comunhão. Além disso, todo assador ou aspirante a churrasqueiro, como é o meu caso, tem as suas manias, desde a forma de ascender o fogo, a preferência por determinados cortes o modo de espetar a carne.
No passado, nem tão distante assim, a maioria das minhas tentativas em preparar um churrasco se transformava em um desastre total, no entanto com o passar do tempo venho me empenhando e posso garantir que evolui bastante, apesar de ainda ter muita estrada para trilhar.


No último domingo preparei uma costela, preferi um corte mais largo que os tradicionais. Assei por umas três horas quase sempre com o osso virado para baixo. O visual era extremamente atrativo e o cheiro inigualável. O resultado foi surpreendente, digno de muitos elogios. É claro que as três horas ajudaram a abrir o apetite do pessoal.

Aproveito para homenagear neste post o meu compadre, o Lizandro, que é um dos melhores churrasqueiros que conheço e que preparou o melhor vazio que já provei.

Bebida: Chimarrão e Patrícia

Música: Jumpin Jack Flash/Rolling Stones

Um grande abraço a todos

A megasena e a Pururuca


Todo o cardápio da ceia de ano novo é especialmente preparado para atrair riqueza e fartura, é uma data onde até mesmo o ser mais racional tem as suas superstições, dá três pulinhos, usa peças de roupa com cores identificadas com os seus desejos, guarda bagos de uva na carteira entre outras tantas insanidades.

Eu, como qualquer mortal, não sou diferente, comi leitão, lentilha, uvas, coloquei cueca (nova) amarela, folha de louro na carteira, etc, etc, etc, pois como milhões de brasileiro tentei atrair a simpatia dos Deuses para ser um dos felizardos na “mega sena da virada”, também pudera com um Prêmio de mais de140 milhões. Quantas pessoas traçaram planos para a bolada, acredito que alguns fizeram até contas que deveriam ser pagas com o prêmio.
Como milhões não ganhei, e não sei se serve de consolo, o preço para os ganhadores será auto demais, pois ganhar um prêmio destes significa perdermos a nossa identidade. Se eu ganhasse R$ 140 milhões, não seria o mesmo, não seria eu mesmo, seria outro….Dirá o imbecil da obviedade que bastava ganhar a bolada e não contar para ninguém, manter em sigilo que foi o ganhador. E, cá para nós, o bom de ganhar uma fortuna é espalhar para todos que ganhou…e, espalhando, em que virará a sua casa? Será uma romaria interminável, obrigatoriamente você terá de se mudar, e não quero sair da cidade onde moro….com um grana destas não basta mudar de casa, precisamos mudar de cidade, e nem de cidade chega precisamos mudar de país…..outra desvantagem é que uma das atrações da vida, que é fazer amigos, fica inviável: qualquer pessoa que se aproximar de você será considerada interesseira…..concluo que se tivesse ganho na mega sena minha vida teria virado uma verdadeira encrenca.Parabéns a todos os perdedores!
Mas em compensação o cardápio da ceia estava dos deuses, leitão a pururuca, lentilhas, arroz a grega e farofa. Trata-se de uma cardápio acessível e de fácil preparação, que não precisaria estar restrito apenas a uma noite do ano, tanto que repeti este prato dois dias após a ceia.
O segredo do leitão não esta no tempero, apenas sal e alho, e sim na forma de assar o bicho, são algumas horas de forno baixo coberto com papel alumínio, e um outro tanto descoberto, depois de bem assado é só pururucar, ou seja, jogar o óleo quente do próprio assado sobre a pele do leitão (fora do forno). Bom apetite.

Bebida: Espumante Miolo Cuvée Tradition Brut Rose
Música: YOU SEXY THING – Hot Chocolate
Um grande abraço.